Tenho postado pouco ultimamente, e os temas têm me interessado menos. Talvez seja efeito da rotina, no entanto tenho atentado à um fenômeno cada vez mais crescente e aparente (talvez o que tenha se tornado banal algumas vezes vem a tona na forma de sintomas sociais). Cada vez é menos absurdo o olhar desviante que damos aos homens e mulheres que se acham jogados pelas ruas, trajando vestes cinzas (que os confunde com o cinza das ruas), olhares que não tem brilho, ou ofuscam tanto que nossas cabeças são obrigadas a se inclinar para o lado e evitar o impactante vislumbre de um homem sujo, que fala coisas desconexas e as vezes agressivas, que machuca as narinas de quem passa e estende a mão. A imagem não é das mais agradáveis pois trata-se de uma das falhas que a sociedade não foi capaz de consertar, então massacra até virar cinza, até virar nada.
Com relação ao olhar, convém não fazê-lo. A criatura pode levantar-se, amedrontar meus sonhos, minha concepção de mundo, meu entendimento do real. O real deve seguir uma linha reta e sem obstruções. É doloroso topar com uma pedra no caminho. Num mundo cor de rosa que cheira a morango artificial não há lugar para a realidade quebrante do homem que não participa da movimentação da economia, não contribui com o consumo, em torno dele não giram grandes valores, grandes marcas, seu estomago não digere os frutos da beleza do capital (a menos que encontrados no lixo). O maltrapilho é assustador, um ser tão superior ao proletariado, pois não participa em nenhum momento dês da extração passando pelo processo de produção e por ultimo o consumo, essa classe de miseráveis participa da coleta do lixo, a ultima etapa do belo processo que faz o capital girar.
Dos que vivem do lixo há também os que vivem no lixo e os que vivem com o lixo: portanto não é admirável comparar o homem de rua com o lixo, comparação nada desqualificada de razão. Ora, o que a sociedade nega a existência é o lixo, este por sua vez desaparece no momento em que é jogado fora, deixa de existir, desaparece quando redireciono o olhar (em um processo esquizofrênico mesmo), a realidade é tão deturpada apenas por aquilo que lhe é apresentada, é tão dura e cruel, as luzes não iluminam o lixo, iluminam os produtos, mal se pode ver a produção a não ser que trabalhe nela (trabalho duro e pouco remunerado)
Se se esquecem que por trás daquelas roupas sujas há um homem com desejos, anseios, frustrações, amores então não fica dificil vê-lo como um animal e não SE RECONHECER no ser que topa na rua. Estão expostos à ação do tempo, da violência e do descaso. Por isso somos esquizofrênicos que não querem ver a verdadeira realidade (o tipo mais grave da patologia) ,basta a realidade criada.
Dos que vivem do lixo há também os que vivem no lixo e os que vivem com o lixo: portanto não é admirável comparar o homem de rua com o lixo, comparação nada desqualificada de razão. Ora, o que a sociedade nega a existência é o lixo, este por sua vez desaparece no momento em que é jogado fora, deixa de existir, desaparece quando redireciono o olhar (em um processo esquizofrênico mesmo), a realidade é tão deturpada apenas por aquilo que lhe é apresentada, é tão dura e cruel, as luzes não iluminam o lixo, iluminam os produtos, mal se pode ver a produção a não ser que trabalhe nela (trabalho duro e pouco remunerado)
Se se esquecem que por trás daquelas roupas sujas há um homem com desejos, anseios, frustrações, amores então não fica dificil vê-lo como um animal e não SE RECONHECER no ser que topa na rua. Estão expostos à ação do tempo, da violência e do descaso. Por isso somos esquizofrênicos que não querem ver a verdadeira realidade (o tipo mais grave da patologia) ,basta a realidade criada.
